O discurso que permeia as relações

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Por Maria Antônia Novicov de Andrade


Dois personagens bíblicos me chamam a atenção para o assunto, que vou usar como exemplo, e discorrer em função de ser público.

O primeiro é José do Egito, filho de Jacó, predileto do seu pai. José tinha a habilidade de interpretar os sonhos, com isso despertou os ciúmes dos irmãos, que acabaram por vendê-lo como escravo e assim ele foi servir na casa de Potifar em terras distantes. Depois, entre outras circunstâncias, se tornou governador do Egito.

O segundo é Davi, pastor de ovelhas, filho mais novo de Jessé. Dentre as suas habilidades, a persistência era notória, mesmo desacreditado pela família enfrentou leões, derrotou o gigante Golias e foi ungido pelo profeta Samuel para ser Rei de Israel.

Diante dos dois personagens, pergunto: Como olhamos para os nossos filhos? O olhar é de quem acredita em suas habilidades e potencialidades, ou, só olhamos para suas fragilidades?

O conceito que se possui sobre as pessoas com as quais se relaciona define o olhar como positivo e encorajador, ou, de descrédito e limitante.

Assim, todas as relações do indivíduo podem possuir uma visão negativa do seu interlocutor, mesmo que a mensagem seja explícita; a linguagem não verbal o denunciará. Portanto, a relação fica permeada de duplo sentido, ou seja, há uma afirmação verbal, porém, também há a condenação com o olhar e atitudes inconscientes.

Vejamos no exemplo de um relacionamento: Quando se acredita que: “A pessoa não é capaz, é indefesa, é dispersa, não tem condição de aprender mesmo”, e, no entanto, se diz: “você consegue, vai dar certo, preste atenção, você é capaz”.

Essa comunicação está permeada de ruídos que prejudica o desenvolvimento de todos os participantes dessa relação – emissor e receptor. Outra situação comum e prejudicial é a comparação entre irmãos, primos, colegas e outras pessoas. Dependendo da dificuldade que o ouvinte está passando, esta forma será desestimuladora e limitadora.

A comparação mexe com a autoestima de forma não sadia, pois acaba transparecendo que os demais possuem capacidades que este jamais a terá.

Outra situação está quando se aumenta o volume de voz para intimidar, desqualificar, culpar e ou ameaçar, essa prática não edifica quem precisa superar suas dificuldades, pelo contrário, aumenta o grau do problema enfrentado pelo receptor.

Como podemos aplicar um discurso estimulador e desafiador nas relações? – É necessário contextualizar que se está do mesmo lado com empatia, com companheirismo, traçar metas tangíveis, apoio aos processos de mudanças com apresentação de fatos concretos que promovem o desenvolvimento.

Desta forma estimula-se a iniciativa, o empoderamento de suas potencialidades e habilidades, dotando-o de autoridade sobre os seus comportamentos e gerindo de forma sadia as suas relações.

Voltando aos nossos personagens bíblicos, podemos fazer uma analogia com as nossas vidas. Tanto José quanto David mantiveram-se confiantes em suas habilidades natas, enfrentando as dificuldades com resignação, persistência e determinação, ultrapassando os pensamentos limitadores com os quais foram julgados.

Hoje, temos o conhecimento prático sobre as funções cerebrais e psicológicas que determinam os resultados positivos das nossas ações e podemos conscientemente modificar as relações com tudo e todos que estão a nossa volta.

Precisamos analisar e responder os questionamentos:

Qual o tipo de discurso está sendo aplicado em nossos relacionamentos, o motivador ou limitador? A comunicação que estamos praticando está alinhada de forma ao encorajamento do ouvinte? As falas estão realmente sendo gentis e acolhedoras? Há o reconhecimento das potencialidades do interlocutor? O amor e a atenção são declarados em suas relações?

As reflexões permitem importantes transformações nos conceitos pessoais, ocasionando uma visão mais clara de propósitos nas relações, principalmente com o cônjuge e os filhos, pois queremos o melhor para quem está ao nosso lado. Ter a convicção que tudo e todos podem progredir, superar as dificuldades e desafios da vida, faz a diferença.

A combinação de pensar, de falar e agir de forma coerente com os propósitos são determinantes para manter a eficácia da comunicação, desperta o nosso desenvolvimento pessoal e de todos os envolvidos nas relações. Dessa forma há uma gestão consciente do processo, com evolução em todos os níveis da vida: mental, emocional e física.

Assim, todo aquele que compreender e aplicar este método seguirão honrando e elevando os princípios familiares através da reconexão com a ancestralidade, bem como deixando um legado de valores, que é uma herança de bens intangíveis a seus descendentes, tão escasso atualmente.

Maria Antonia Novicov de Andrade
Pedagoga; Psicopedagoga; Terapeuta Familiar


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