O Poder da Escrita: Expressão, Autocriação, Saúde Emocional e Bem-Estar

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“Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta.”

Anne Frank

Essa frase, encontrada do diário de Anne Frank, expressa a importância da escrita e traduz aquilo que eu acredito e vivencio há mais de 10 anos escrevendo regularmente: a escrita como um refúgio, um espaço de acolhimento e transformação. Mais do que um ato de comunicação, escrever é um processo de autoconhecimento, bem-estar e autocriação.

Escrita Terapêutica e seus benefícios

Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com

A escrita possui um poder extraordinário na promoção da saúde e do bem-estar.

O psicólogo James Pennebaker foi pioneiro nos estudos sobre escrita terapêutica nos anos 1980. Ele percebeu que escrever sobre eventos traumáticos e as emoções envolvidas, por 15 minutos por dia, por pelos menos 3 dias, poderia ter efeitos profundos na saúde física e mental. Suas pesquisas mostraram que a escrita terapêutica:

  • Promove equilíbrio emocional;
  • Aumenta a resiliência e a capacidade de superar dores;
  • Melhora a organização interna, refletindo no mundo externo;
  • Potencializa qualidades e habilidades;
  • Estimula a criatividade na resolução de problemas;
  • Melhora a comunicação intra e interpessoal;
  • Fortalece o sistema imunológico, reduzindo visitas médicas;
  • Reduz o estresse e a ansiedade;
  • Beneficia gestantes, melhorando a experiência do parto e a saúde dos bebês.

A escrita terapêutica não exige preocupações com gramática ou coerência. É um exercício de desabafo, um fluxo livre de palavras e sentimentos que se transformam em cura.

Quando colocamos sentimentos e pensamentos no papel, criamos um espaço seguro para processar emoções, reorganizar experiências e dar novos significados à nossa trajetória. Talvez seja esse o alívio sentido por Anne Frank e por todos aqueles que conseguem dar vazão às emoções por meio das palavras.

Escrever sobre si para a Alma Florir

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Michel Foucault, em seu ensaio “Escrita de Si”, fala sobre as “artes de si mesmo”, conceito inspirado em filósofos greco-romanos que incentivavam a escrita que partia da auto-observação e da meditação sobre os  movimentos das alma, como eles chamavam. Eles anotavam tudo aquilo que poderia revelar os desejos da Alma: o que ela quer? Para onde se move?

Sócrates, Pitágoras e outros filósofos acreditavam que a escrita permitia afastar as sombras interiores e revelar os desejos mais profundos da alma, sendo um ato de iluminação e autoconhecimento.

Ao escrevermos sobre nós mesmos, damos voz à nossa essência. Criamos nosso próprio mundo e, ao mesmo tempo, somos criados por ele. A escrita de si é, portanto, um compromisso diário consigo mesmo, um ritual – no sentido de uma pausa ativa – de descoberta e transformação.

Escrever sobre si então é dar voz à Alma. É expressar a alma e deixar que ela flua.

Isso é viver de forma conscienciosa!

Escrever para Criar a Si Mesmo

Caderno Autopoiético, por Carolina Jardim

Para além do autoconhecimento, a escrita é também uma ferramenta de autodesenvolvimento: posso conhecer aquilo que me tornarei quando me escrever. Na medida em que escrevo, me reconhecerei, criarei e recriarei e posso então me tornar quem desejo.

Escrever, se torna um incentivo!

Ao escrever, não apenas registramos memórias e pensamentos, mas nos recriamos constantemente. Escrever é um convite ao crescimento, um incentivo para florescer.

Essa prática nos auxilia a acessar estados mais profundos de reflexão e autocuidado, promovendo equilíbrio emocional e clareza mental, além da criatividade.

Ao escrevermos sobre nós mesmos, cultivamos uma relação mais íntima e amorosa com nossa essência, permitindo que a transformação aconteça de dentro para fora e de forma fluida, flexível, passível de edição e reedição e de significâncias que só quem se escreve pode atribuir.

Como bem disse Roberto Tranjan no livro “O Velho e o Menino”:

“Assim como um bom artesão escolhe o melhor insumo para o seu artefato, cada um de nós deve escolher a melhor palavra para o que dá vida e vigor ao que vai conduzir a nossa história.”

A escrita é um processo artesanal de autocriação. Cada palavra escolhida molda nossa realidade e influencia nosso universo particular.

Um Convite à Escrita

Você já observou as palavras que cultiva no dia a dia? Percebe como elas afetam sua vida e o mundo ao seu redor? Que palavras têm construído a sua história?

Comece agora. Pegue um caderno, um bloco de notas ou um aplicativo e não adie mais esse encontro consigo mesmo. Escreva para colocar sua voz no mundo. Permita-se fluir, transformar e criar um caminho verdadeiro e autêntico por meio das palavras.

Que a escrita seja o seu ritual de autocuidado, autocriação e cura.

E, se precisar de ajuda, pode escolher uma das Trilhas Para Cultivar a Alma e começar agora sua jornada de autocriação e bem-estar por meio das palavras.

Vamos, juntos?

Carolina Jardim é Arteterapeuta e Artesã de Cadernos. Seu trabalho é facilitar a criação de um Jardim interior, um refúgio onde a escrita, a arte e o silêncio se tornam práticas de autocuidado e amor-próprio que florescem a Alma. Acompanhe sua Newsletter com exercícios de escrita e no Instagram.


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